quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PF indicia mais três suspeitos de envolvimento no vazamento do Enem

Mais três pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (5) por suspeita de envolvimento no vazamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As informações são da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, que não forneceu a identidade dos suspeitos. No total, cinco pessoas foram indiciadas.

A notícia de quebra do sigilo do exame, revelada pelo “O Estado de S.Paulo”, fez com que o Ministério da Educação cancelasse, na quinta-feira (1º), a prova que seria aplicada no sábado (3) e no domingo (4) para mais de 4 milhões de estudantes.

No sábado (3), já haviam sido indiciados por suspeita de participação no vazamento o publicitário e dono de uma pizzaria Luciano Rodrigues e o DJ Gregory Camillo Craid.


Luiz Vicente Bezinelli, que defende dono de pizzaria suspeito de participar do vazamento do Enem

O advogado Luiz Vicente Bezinelli, que defende o dono da pizzaria, esteve na sede da Polícia Federal na tarde desta segunda para ver o inquérito e decidir como vai proceder na defesa de seu cliente. Bezinelli afirmou não ter visto o terceiro suspeito, que seria o segurança contratado pelo Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção (Connasel), responsável pelo processo de produção e de distribuição do exame.

No entanto, ele disse ter sido informado por uma delegada da Polícia Federal de que o segurança confessou o crime. Procurado pela TV Globo, o consórcio Connasel informou que o suspeito tinha sido contratado como temporário pelo instituto Cetro para trabalhar na arrumação de caixas na gráfica. O consórcio repassou à PF a identificação, o endereço e a ficha dele.


Ainda de acordo com o defensor, esse suspeito foi indiciado, mas não deve ficar preso. Ele indicou outras pessoas que colaboraram com o vazamento da prova, segundo Bezinelli, e há outras pessoas sendo ouvidas na tarde desta segunda na PF sobre o caso, ainda conforme informações do defensor. Bezinelli não soube informar se esse terceiro suspeito já tem advogado constituído.

Bezinelli diz que, pelo que soube das investigações, o crime foi feito por amadores. “[As investigações não indicam] nada que possa levar a um golpe, algum mentor importante, ou algum partido político. Não existe esquema maior atrás”, disse ele, que classificou a tentativa de venda da prova para um órgão de imprensa como “surreal”.

Segundo ele, o suspeito pensou em vender a prova para pais de estudantes, mas alguém teria dito a ele que jornalistas pagariam mais. “Para mim foi uma burrice [pensar que os jornalistas pagariam pelo exame]”. O defensor acredita que o momento do furto do exame não foi filmado, porque como o suspeito trabalhava no local conhecia os pontos cegos que não eram filmados pelas câmeras.

O advogado disse que deve entrar com habeas corpus na quarta-feira (7) - quando o inquérito pode estar concluído - para retirar as acusações contra seu cliente. Segundo ele, o dono da pizzaria não cometeu crime e o erro dele foi procurar a imprensa em vez de informar a polícia. “Ele pensou no furo jornalístico. Ele é publicitário, já trabalhou no ‘O Estado de S.Paulo’”.

O dono da pizzaria já trabalhou no departamento comercial de “O Estado de S.Paulo” e telefonou para a redação do jornal e também da “Folha de S. Paulo” para contar a denúncia para os jornalistas.

O defensor afirmou que seu cliente viu apenas que era um papel azul e que tinha um símbolo do governo federal, mas não chegou a olhar com atenção a prova.


Bezinelli disse que, em um primeiro momento, Rodrigues não sabia que os rapazes tinham interesse em vender a prova e pensava que se tratava apenas de uma denúncia. Mas depois, quando conversava com uma jornalista ao telefone, viu os dois discutindo, falando que podiam ganhar um dinheiro com o fato. O advogado disse que Rodrigues alertou aos rapazes que a imprensa não pagaria por aquilo e que ia querer denunciar.

Por causa de erro, MEC vai divulgar novo gabarito das provas do Enem

O Ministério da Educação (MEC) informou que vai divulgar um novo gabarito das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicadas neste sábado (5) e domingo (6). A assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) informou, às 23h50 deste domingo, que a divulgação dos novos gabaritos oficiais deverá ser feita a partir das 10h desta segunda-feira.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) colocou no seu site a seguinte informação:

"Foi identificada inconsistência nos gabaritos dos diferentes modelos de prova publicados. Os gabaritos corretos serão publicados o mais breve possível."

'Lamentável'

No primeiro dia, os candidatos fizeram as provas de ciências humanas (geografia e história) e da natureza (biologia, química e física). No segundo dia, foi a vez das provas de matemática e linguagens, que incluía uma redação.

A divulgação de gabaritos errados foi lamentável na opinião do coordenador do Curso Etapa, Edmilson Motta.

"O que aconteceu foi muito ruim. A alta abstenção já mostrou que a prova ficou desmoralizada. Esses problemas no gabarito reforçam a visão de que a prova foi feita sem a estrutura adequada. O Enem acaba virando um motivo de chacota", disse.

Segundo ele, "umas das poucas coisas que funcionam no país são os vestibulares". "Quando acontecem esses erros de organização, de logística, os processos seletivos que acontecem com muita lisura podem acabar também desmoralizados."

"O gabarito errado causou um certo pânico entre os alunos, que achavam que tinha ido mal. Não fazia o menor sentido", afirmou Eduardo Figueiredo, professor de física do Curso Objetivo.

Ceca de 2,6 milhões dos mais de 4 milhões de inscritos fizeram as provas. O índice de abstenção chegou a 37,7% no sábado, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Dados preliminares apontam que 2,9% das pessoas que fizeram a prova no primeiro dia não realizaram o teste no domingo. Foi a maior abstenção da história do exame. O MEC esperava um índice de 35%.

Histórico de problemas do Enem inclui vazamento e gabarito errado

Em 2009, prova foi furtada e exame teve de ser remarcado.
Várias universidades desistiram de usar nota.

Além do vazamento de dados pessoais de inscritos em 2007, 2008 e 2009, que foi descoberto nesta terça-feira (3), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem um histórico de problemas que inclui vazamento da prova, divulgação de gabarito errado e alterações de data do exame.

No ano passado, o vazamento da prova obrigou o Ministério da Educação a cancelar a prova e a remarcar o exame com dois meses de atraso após ser totalmente refeito. Parte das universidades que usariam o resultado nos processos seletivos desistiram de contar com a nota. Envolvidos no vazamento foram indiciados.

O vazamento da prova levou o então presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, a deixar o cargo.

Devido aos problemas, a abstenção na prova chegou a 1,5 milhão de pessoas. A prova de 2009 trouxe ainda questões polêmicas e com problemas, teve a divulgação de um gabarito errado e a anulação de uma questão.

Durante o perído de inscrições, foram relatadas por estudantes dificuldades para acessar o site do exame. Além disso, houve inscritos foram convocados para fazer a prova em locais distantes de casa.

No início de 2010, o site do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa as notas do Enem para selecionar estudantes para universidades federais, travou no primeiro dia de inscrições. Houve casos ainda de estudantes que perderam vagas em instituições após mudanças na lista de espera do sistema. O MEC afirmou que resolveu os casos.

Em março, o ministro da Educação, Fernando Haddad, descartou a aplicação do Enem no meio do ano. Em 2009, o MEC afirmou que trabalhava com a possibilidade de aplicar duas provas em 2010. A data da prova do final do ano, prevista para ser realizada em outubro, teve de ser alterada para novembro, o que novamente causou a desistência do uso da nota por grandes vestibulares, como a Fuvest e a Unicamp.

Vazamento de dados de estudantes do Enem será apurado, diz Inep

Nome, notas e outros dados de alunos ficaram aparentes no site do Inep.
Ministério da Educação também afirma que vai apurar falha.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou uma nota na manhã desta quarta-feira (4) informando que vai apurar "causas e responsabilidades" sobre o vazamento de informações sigilosas dos estudantes inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorrido na terça-feira (3), no site do órgão, que é responsável pela organização da prova.


Os dados disponíveis no site eram de estudantes inscritos nos exames de 2007, 2008 e 2009. Foram exibidas informações como nome, RG, CPF, notas e número da matrícula, que deveriam ser mantidas em sigilo.

Segundo a nota, os dados dos inscritos, armazenados no banco do instituto, eram colocados numa "área reservada do site, com endereço específico, e liberados para as Instituições de Ensino Superior (IES) e Secretarias de Educação que solicitassem para utilização nos seus processos seletivos. Essas instituições se comprometiam a não divulgar os dados e teriam acesso mediante usuário e senha."

Ainda de acordo com a nota divulgada nesta quarta-feira, tão logo informado que o endereço em área reservada havia se tornado público, o Inep "fechou o endereço específico."

Para finalizar, a direção do Inep informou que "apura causas e responsabilidades que provocaram o ocorrido."

O Ministério da Educação (MEC) também já afirmou que vai apurar o que houve e já admite até a possibilidade de demissão dos responsáveis. Segundo o Inep, a falha não compromete o resultado das três últimas edições do exame.

Presidente do Inep diz que haverá auditoria sobre vazamento de dados

Nome, notas e outros dados de alunos ficaram aparentes no site do Inep.
Ministério da Educação também afirma que vai apurar falha.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), José Joaquim Soares Neto, disse nesta quarta-feira (4) que o órgão vai rastrear os arquivos e ver quem é o responsável pelo vazamento de informações sigilosas dos estudantes inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorrido na terça-feira (3), no site do órgão, que é responsável pela organização da prova.

Comente esta notícia

Os dados disponíveis no site eram de estudantes inscritos nos exames de 2007, 2008 e 2009. Foram exibidas informações como nome, RG, CPF, notas e número da matrícula, que deveriam ser mantidas em sigilo.
saiba mais

* Vazamento de dados de estudantes do Enem será apurado, diz Inep
* Informações de inscritos no Enem vazam na internet
* Histórico de problemas do Enem inclui vazamento e gabarito errado

"A senha é dada às 231 instituições que as utilizam para os seus processos seletivos. Elas entravam no sistema e pegavam os dados cadastrais. A instituição tinha o compromisso de ter o dado reservado. Vamos fazer um rastreamento de todas as instituições que acessaram os dados para ver que melhor atitude administrativa vamos tomar", disse o presidente do Inep.

Segundo José Joaquim, haverá uma auditoria para apurar responsabilidades e os dados estarão bloqueados para a universidades até o resultado da investigação. "Arquivos estarão inacessíveis enquanto esta auditoria durar. Esperamos até o final da semana que os dados estejam novamente acessíveis às universidades via senha", afirmou.

Ainda de acordo com o presidente do Inep, as informações eram reservadas e não sigilosas. "Os dados já tinham sido divulgados às instituições. Não eram dados sigilosos, eram dados reservados".

Mais cedo, o Inep divulgou uma nota informando que os dados dos inscritos, armazenados no banco do instituto, eram colocados numa "área reservada do site, com endereço específico, e liberados para as Instituições de Ensino Superior (IES) e Secretarias de Educação que solicitassem para utilização nos seus processos seletivos. Essas instituições se comprometiam a não divulgar os dados e teriam acesso mediante usuário e senha."

Ainda de acordo com a nota, tão logo informado que o endereço em área reservada havia se tornado público, o Inep "fechou o endereço específico."

Para finalizar, a direção do Inep informou que "apura causas e responsabilidades que provocaram o ocorrido."

O Ministério da Educação (MEC) também já afirmou que vai apurar o que houve e já admite até a possibilidade de demissão dos responsáveis. Segundo o Inep, a falha não compromete o resultado das três últimas edições do exame.